sábado, 26 de maio de 2012

O pior castigo do universo

publicado originalmente no iFetiche


Sexy! era a descrição que tinha da minha visão. Poderia ser pano demais para uma lingerie, mas era extremamente sexy, marcando os contornos e contrastando com a pele alva e destacando os lábios rosados.

Desde o momento que o seu casaco foi ao chão eu me tornei inerte, um caquético. Elogiei ela e tentei avançar pra cima dela, mas antes que a tocasse, bastou um único dedo na minha face para me fazer recuar... deitar na cama e observar as cordas que se encaracolavam em meus braços e me cingia à cama.

Por cima de mim, seu rosto sereno demonstrava a precisão e tranquilidade com que fazia o trabalho e seu cheiro já me enebriava. Serena também foi a posição que fiquei, os braços bem confortáveis me deixava ainda mais animado para o que estava por vir.

Puxou a cadeira para o lado da cama e trouxe junto mais um conjunto de cordas, agora era garantida a imobilidade das pernas afastadas e esticadas.

Puxou da bolsa um livro grosso, de páginas amarelas e uma capa preta surrada sem nenhuma mísera letra prensada, abancou-se, e de uma maneira sobeja levou o dedo à língua e foleou o livro até a página que desejava.

Reclamei antes mesmo dela encontrar o que queria no livro, argumentei que aquilo era perda de tempo e a resposta veio em um tapa que me fez ter a certeza de que tinha perdido a oportunidade de ficar quieto.

Instantes depois ela retomou o seu estado tranquilo, limpou a garganta e começou a ler. Leitura impecável! Pausas, interjeições todas respeitadas na maestria de uma oradora! Tentei me concentrar, compreender o que ela dizia mas a linguagem rebuscada e o tom monótono me deslocaram daquele lugar. Avançava no tempo imaginando o instante em que ela pularia em cima de mim e jogaria o livro longe.

Quando me dei conta, estava pedindo para ela parar, elogiando-a novamente mas que eu queria agora era idolatrar aquele corpo deliciosamente paramentado.

Parou. me fitou e respirou bem fundo, tal como quem expira o ódio que surgi subitamente. Então puxou da bolsa um lenço grande, talvez uma echarpe e sua única palavra foi: -"abra a boca" e eu fiz e logo perdi a possibilidade de dizer qualquer outra coisa.

Continuou lendo as palavras que ainda eram desconexas para mim, mas eu insistia em prestar atenção e conseguia por instantes entrar na história que falava sobre amor, doação e sublimidades, mas bastava um ponto final e minha mente era arremessada às pendências do trabalho ou aos desejos que tinha para com minha rainha.

Fechei os olhos pensando que estaria com maior foco em suas palavras e acabei cochilando. Maldita rotina do dia-a-dia que nos suga a alma e não nos deixa energias para resistir à uma historinha.

Maldita eram as cordas que marcaram os meus pulsos e tornozelos no pulo que dei quando acordei queimando. Ou melhor, sendo queimado pelos pingos ebulidos de cera quente que caiam torrencialmente da vela diretamente sobre meu peito. Foi quando eu vi pela primeira vez na noite o rosto dela mudar, levemente, abrindo um sorriso que provava a sua sadicidade.

Agora presa em um suporte improvisado com outra cadeira, a vela pingava diretamente e constantemente sob meu peito. Não mais me deixando refugiar em meu próprio intelecto.

Frases, Parágrafos, Páginas e folhas foram consumidas pela minha rainha que tinha minha completa atenção... muito tempo passou e pausa somente para um gole de água ou uma observada para aferir que estava tudo bem e atento.

A vela acabou, o capitulo também e já haviam se passado algo em torno de quatro horas, quando finalmente ela fechou o livro e colocou-o de lado.

Ela sentou-se na cama, bem próxima de meu rosto e me perguntou se havia trazido o que ela havia pedido e eu afirmei com uma cara certamente pávida.

Voltou então com o brinquedinho, e pela primeira vez naquela noite, feliz! Se jogou na cama e parou entre minhas pernas e ficou por alguns instantes.

Então ela jogou a chave entre os seios e disse:

-ficará casto até amanhã e voltaremos a este mesmo lugar, neste mesmo horário, e novamente nesta mesma situação e se quiser sentir prazer, bastará acertar as perguntas que farei sobre o texto. Se não acertar pelo menos metade das questões, lerei então dois capítulos e permanecerá probo até compreender que deve escutar sua rainha e que ela é quem manda.


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