sexta-feira, 13 de abril de 2012

Antes de Chegar ou História de Banheiro

Tinha acabado de beijar os pés da rainha em despedida da noite de deliciosas torturas. Carro não era um luxo palpável pra mim, então me sobrou o ônibus.
Devido ao meu estado civil, o castigo da noite ainda não havia terminado. Vestia por baixo das roupas uma calcinha, cinta-liga e meias 7/8 e ainda preso pelo cinto de castidade. E teria que me livrar de tudo isso antes de chegar em casa.
O Ônibus veio e eu tremia de preocupação em como conseguir tal proeza. Talvez entrar correndo em casa e se trancar no banheiro. Mas e se ela estivesse tomando banho? E se viesse de encontro me abraçar e sentisse o plástico duro do cinto? Não podia correr riscos! Afinal, já havia muito riscos vermelhos nas costas feitas pelo chicote.
O ônibus serpenteava a cidade enquanto procurava alternativas. O caminho era curto demais para tentar pelo menos tirar as meias pelos pés e o cinto de castidade escondido no fundo do ônibus.
Pensei em descer um ponto antes, procurar um jardim e me livrar dos problemas atrás de uma moita qualquer, mas se o dono da casa visse? Não conseguia nem me lembrar de um jardim próximo de casa.
O pau doía, foram 4 horas de atormentação e paudurescencia que castigaram bastante e nenhum gozo. Maldita!
Pensei num shopping, ou melhor, no banheiro de um shopping. Mas já passava do horário. Horário? Sorte que minha esposa acreditava que eu trabalhava até estas horas.
Podia fingir mijar num poste e tirar o cinto. Mas e o resto? Será que a calcinha sai pela cabeça?
O ponto chegou, desci. Olhei para os lados e vi um pouco para trás um boteco, bar mesmo, de gente que bebe pinga e come ovo azul em conserva. Pensei comigo: Lá tem um banheiro. Tudo que eu preciso para resolver meu problema e não ser jogado pra fora de casa pela esposa.
Não vi banheiro feminino, mas o banheiro masculino possuía dois vasos. Entrei no primeiro e tinha merda no vaso e mijo pra todo lado e no chão. No segundo, pior ainda, voltei pro primeiro.
Eu não poderia encostar em nada, nem o pé no chão, nem a bunda no acento correndo o risco de ter a pele corroída pela imundice ou ter que jogar a roupa fora pela sujeira que nunca mais iria sair.
Fechei o trinco, mas não encaixava muito bem. Conferi e ficou fechado. Tinha a mochila nas costas ter q equilibrar numa perna só pra tirar a meia com alguns quilos nas costas era pedir para cair no meio da merda.
Por sorte o registro! Testei antes vendo se aguentaria a mochila e consegui encaixá-la perfeitamente. Sorte que naquela altura não tinha mijo nas paredes.
Tirei o primeiro sapato, sem desamarrar o cadarço para ele não encostar no chão e sem pegar nem perto da sola que já estava contaminada pela mistura de terra, mijo e alguns papéis higiênicos - cagados - derretidos. A meia social foi para o bolso da calça. O pé pousou sobre o sapato testando a pontaria e a possibilidade de apoiar o peso sobre o sapato sem machucar o pé.
O cheiro era insuportável. Tirei o outro pé de sapato na mesma tática.
Agora era a vez da calça. Fui tirando e já puxando a boca da perna pra cima para não encostar em nada. Perdi o equilíbrio. Tombei e parei apoiado com a mão na lateral do box. A porta abriu. Como estava mal fechado, o peso do corpo apoiado na lateral foi suficiente para desprender o trinco.
Alguém passava, olhou, eu vi que olhou, viu a calcinha lilás. Bosta. Fechei rapidamente a porta. Tirei a outra perna da calça. Ela estava agora em minhas mãos. Mas precisava das mãos para tirar todo o resto.
Conferi para ver se no susto da porta eu não tinha me sujado ou sujado a calça. Parecia tudo limpo.
Só me restava a boca! Joguei as pernas da calça por dentro da cintura e mordi a calça. Soltei as ligas, desabotoei atrás e tirei a peça. Foi pro bolso da calça.
Alguém entrou no banheiro! Fiquei pensando no que o doido ia pensar ouvindo meus barulhos nada convencionais. Olhei para baixo e percebi que o box era alto e eu estava muito próximo do box, ou seja, provavelmente alguém estava vendo aquela atrocidade: uma perna peluda com uma meia vermelha. Bosta! ... já tinha muita merda nesta história e eu nem gostava de coprofagia.
Fiquei esperando a hora que alguém ia arrebentar a porta do banheiro e me encher de bordoada. Que ideia idiota a minha.
A Adrenalina corria pelo corpo, acredito que mais adrenalina do que toda a sessão acontecida horas antes.
Tirei uma meia. E foi pro bolso da calça. Tive que segurar a calça novamente para espirrar. Soltei o espirro pra trás contribuindo ainda mais um pouco com a pobre situação do vaso sanitário. Olhei a calça e já estava um pouco babada.
Calça na boca, e a segunda meia estava no bolso da calça. E Junto já saiu a calcinha. Que vontade de largá-la ali mesmo, mas tinha prometido a rainha que não faria isso.
Tentei me segurar no pensamento, mas não consegui: Bosta!
A movimentação toda só fez doer ainda mais meu pau, o cinto já estava apertado demais e machucando o saco. Mas pela logística complicada do lugar, ele ainda teria que permanecer mais alguns minutos no lugar.
A Cueca! Melhor chegar em casa sem aliança no dedo do que sem cueca! Bos... está dentro da mochila, mas não consigo alcançar com os pés virados para frente. Ótimo! Também preciso me esconder melhor das paredes altas do box. Fui empurrando com o pé os sapatos para frente, manobrando um de cada vez até que... opz, um deslize e a ponta do pé tocou o chão! Senti 23 tipos de arrepio de nojo e fiquei uns instantes com o pé no ar esperando começar a sentir a ardência do ácido corroendo os dedos... mas não aconteceu.
Peguei a cueca. Vesti com mais cuidado ainda para não tocar no pé melado. Peguei a meia e com uma dor no coração pus no pé sujo. B.... a meia molhou e iria molhar o sapato, então pus a segunda meia no mesmo pé. Beleza! Salvei o sapato.
Mais uma pessoa no banheiro. Entrou no box do lado e... caralho! Eu ouvi ele batendo a fivela do cinto e... sentando?! Como pode?
O Momento mais tenso: Por a calça. Segurei metade dela, ajeitei a boca e me odiava por ter babado na cintura da calça. Pus a primeira parte, pus a segunda e tudo foi perfeito!
Suava, a testa escorria suor as costas estavam molhadas. Cadê o papel higiênico? Não tinha, nem tinha então como limpar o suor.
Era a vez do cinto. Abri o cadeado, puxei a primeira parte e quando fui soltar o anel que prende atrás do saco, uma dor infernal! Igual quando se tira os prendedores do mamilo depois de muitos minutos com eles. Grunhi, não consegui me conter e grunhi como um monstrinho.
Pus os sapatos, também me equilibrando e mantendo a maior concentração para não encostar em nada. Peguei a mochila e esvaziei os bolsos colocando tudo dentro da mochila: cinta-liga, meias, cinto de castidade.
Já me sentia homem novamente. O cara do lado levantou-se e saiu... sem dar descarga. No mesmo instante o cheiro podre foi incrementado ainda mais, que parecia impossível.
Com a mochila na mão, abri o box, e quando ia saindo esbarrei a bunda na lateral do box... bem onde alguém tinha limpado o dedo cheio de bosta. Lá foi parar bosta na calça!
Ao levantar os olhos, um magrelinho esquisito estava parado na frente box. Não sei pra limpá-lo ou para tentar me agarrar, mas abaixei a cabeça e corri para fora do banheiro. Passei reto por todo o bar, suado, só deu tempo de pegar 2 papéis toalhas pra dar uma amenizada na merda da bunda ... ou a bunda da merda.
Na calçada, em um ritmo lento, ria sozinho, seguia em direção à porta de casa lentamente, esperando o suor secar. Com duas meias em um pé, o outro sem meia e um conto para te contar.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Rosana

Só aqueles que já tiveram um affair com uma aeromoça ou conhece profundamente a rotina destas senhoritas sabem do segredos que as cerca. Segredo tão comparável ao segredos das profissionais do sexo.

Eram uns pézinhos bonitos, apesar do sapato baixo nada glamuroso. Mas conforme os olhos foram subindo e delieando aquele corpo, encontrou o que transformou aquele corpo em uma verdadeira obra de arte: "Rosana" escrito em vermelho com fundo branco no crachá de identificação pendurado deliciosamente entre os seios.

Tal encontro se deu na ponte de embarque. Ele era um dos primeiros passageiros e por isso teve condições de fazer todas os calculos e análises anatômicas possíveis enquanto se aproximava. Já apaixonado, comprimentou-a com uma doce saldação e conferiu a retaguarda na passagem. O feitiço já tinha pego e de tão forte, teve que conferir o número da poltrona no bilhete de embarque.

Tudo transcorria normal: Check de portas, detalhes do voo e ele não tirava os olhos de Rosana onde até as instruções de primeiros socorros pareciam sensuais aos seus olhos. Mas foi durante o voo que uma subita turbulencia fez com que toda a tripulação procurasse um acento vazio próximo de onde estavam e por ironia do destino Rosana sentou do lado dele.

Era seu dia de sorte! Sempre sonhou em se casar com uma Rosana de pés bonitos. Teve algumas namoradinhas até então, mas que em sua cabeça todas elas se chamavam Rosana. Era certo que preferia à aquele momento de ter uma linda Rosana ao seu lado do que ter ganho na mega-sena. A origem desta fascinação por um simples nome é tão inexplicavel quanto gostar de roupas de couro, borracha ou ficar amarrado por horas, ou seja, simplesmente é.

Aproveitou então aquele momento de panico para puxar um papo e se fazer de tenso à procura de um conforto numa conversa fiada. Mas a conversa fiada foi suficiente para descobrir diversas afinidades e que moravam na mesma cidade e assim que pousassem ela estaria indo para casa... agora à dele, para consumar o ato.

Assim como o feijão que é feito para o arroz, ou o molho que é feito para o macarrão, ela adorava ser idolatrada, ter os pés beijados e comandar o sexo na cama, o resultado só poderia ter sido uma noite que para ele foi melhor do mundo e para ela um potencial relacionamento para ser levado à diante.

Na manhã seguinte ela deixou a casa com uma alma leve, realizada e ele nem quis sair da cama para continuar sentido o cheiro de sexo com o perfume de Rosana. Então ela deixou em um bilhetinho o telefone da casa dela, afinal, pra quem anda voando de quê adianta celular?

Ele teve que se segurar para não ligar horas depois com aquela desculpa de namoradinho: "só para ouvir a tua voz".  Mas ela trabalharia por alguns dias e só estaria em casa dois dias depois, na sua folga semanal.

chegado o dia tão sonhado, ele ligou para o telefone já esperando falar com Rosana, mas aquela que provavelmente seria sua mãe atendeu e quando ele perguntou sobre Rosana, a mulher respondeu dizendo que era engano pois não havia nenhuma Rosana naquele telefone. O pobre homem perdeu seu chão, custou a acreditar, ligou uma hora depois e a mesma pessoa atendeu e com o mesmo discurso.

Sofreu, se perguntava o porquê daquela falcatrua feminina de passar o telefone errado. Chegou a sentir raiva, tentando encontrar uma razão para isso, resolveu usar das informações que tinha sobre ela e foi até o aeroporto no guichê da compania aérea.

Tentou de toda maneira tirar informações sobre a tal Rosana, e uma boa moça topou ajudá-lo, se comprometendo a entregar em mãos para a Rosana o número do seu telefone para que ela ligasse. Ele então rezou, pediu a todos os deuses e deusas de todas as religiões conhecidas e extintas para que ela ligasse logo.

Passou então à não desgrudar do celular, olhava a todo momento, esperando ao menos uma mensagem de resposta, até quem sabe o aparelho tivesse poderes mediúnicos de descobrir o telefone correto de Rosana. Como o tempo não estava ajudando, tentou então decifrar o telefone escrito no papelzinho, pensando se o 4 não fosse um 9 ou o 1 não fosse o 7 e outras peças que a caligrafia adora pregar em nós. Todo esforço era em vão, não conseguiu encontrar nenhuma Rosana, nem por conhecidencia.

Os dias passaram e ele foi novamente ao aeroporto, o papel ainda estava com a atendente e Rosana já sabia que o papel estava com ela. E a tortura se deu fim somente no dia seguinte, com a ligação da Rosana.

- Oi Rosana! Que bom ouvir sua voz. Estava desesperado a sua procura. Tentei te ligar, mas o telefone que você me passou está errado.
- Como assim está errado? - Indagou ela já achando que ele era maluco
- Sim! O número não é este?
- Sim, está certo. E o que aconteceu quando ligou?
- Falaram que não havia nenhuma Rosana.
- Rosana? hahaha deveria ter perguntado pelo meu nome verdadeiro.
- Quê? Como? Seu nome é Rosana!
- Não querido, meu nome é Ana... Ana Carolina.
- Sério?

O dialogo continuou com ela explicando que todas as aeromoças utilizavam nomes de guerra para preservar a identidade. Era uma norma da compania. Ele ouvia tudo atentamente, enquanto seu conto de fadas se transformava em um conto de terror agonizante.

Ela ainda pediu para combinar de encontrá-lo, mas ele inventou uma desculpa dizendo que estaria ocupado e ligaria para ela mas nunca o fez. Ela tentou ainda ligar algumas vezes mas ele nunca atendeu.