terça-feira, 16 de agosto de 2011

Simples assim

Para um ariano, dizer que ele não pode fazer ou que é incapaz de fazer é gerar um impulso proporcional à dificuldade do feito. O desejo acerca do proibído, do difícil é o combustível do ariano, mas a cereja do bolo é mostrar ao outro que estava errado pois foi capaz de fazer ou quebrar a regra.

Logo no começo das conversas online ela anunciou que nada além da dominação iria acontecer. Não haveria carinho, amor ou menos ainda relações carnais. O Ariano que as vezes chega a enganar os próprios sentimentos fingiu entender e colaborar com a situação prometendo que não iria forçar a nada e aceitaria piamente os desejos altivos dela.

Combinaram o primeiro encontro e ela cheia de regras, explicou tudo detalhadamente, o que podia e o que não podia, eliminando qualquer possibilidade das coisas sairem do seu controle e acabarem no ato sexual. Ele só fez um único desejo: os pés para beijar e acariciar.

O encontro aconteceu, e ela realizou tudo o que planejava e ele aprovou, mas em todos os momentos ele estava semi-presente e só se fez presente e focado quando ela sentou confortavelmente na poltrona e deu os pés para ele. Era o desfecho da sessão, acreditava ela.

O Ariano que não tinha muito gosto por podolatria naquele momento salivou, cheirou aqueles pézinhos perfumados e projetou toda sua energia naquele momento. Era mais energia concentrada do que qualquer bomba atômica, era mais cuidado do que aquele que lapida um diamante delicado.

Começou de leve, com o toque dos lábios nas pontas dos dedos, ela olhava atentamente acreditando ter que corrigir à tapas a maneira de tocá-los. Beijos secos se seguiram, fazendo pequenas sucções e estalidos típicos. Ariano paciênte que só, não tinha pressa, tinha no seu âmago a perfeição e a vontade de realizar o seu melhor.

Depois de se certificar de que todos os milímetros de ambos os pés tinham sido beijados, os beijos se tornaram úmidos, agora ampliando a área e com as mãos alternava entre carinhos leves e pequenas pressões relaxantes.

Ela tesa, observava alegre a dedicação ariana e deixou rolar da maneira que acontecia, esperando que não passaria de um doce carinho em seus pés. Até o momento em que um dos dedos entrou na boca dele e o seu corpo se soltou na poltrona e os olhos se fecharam naturalmente, passando do estágio de observação para curtição das boas sensações.

O ariano se contendo para ser delicado e não estragar todo o clima passeava dedo à dedo, beijando, lambendo, sugando e massageando. O mundo girava, as horas passavam e a evolução nos carinhos era milimétrica, lenta e medida para não acabar antes do ponto.

De dedo à dedo, as carícias se passaram aos pares, de dois em dois dedos eram colocados na boca, e tocado pela lingua, pelos lábios e pela devoção transmitida nas entrelinhas, no que para ela parecia ser o agradecimento de todo o feito anteriormente.

Sem se dar conta, ela solta um leve gemido. O ariano já sorri de canto da boca dividido com o dedo médio que passeava pelos lábios. E proveitando o estímulo, empenha-se em provocar mais alguns gemidos.

A velocidade era tão certa - e lenta - que ela não se dava conta dos gemidos e do que estava acontecendo de que já estava começando a sentir o que mais temia e lhe parecia proibido.

Ele passou de dois para três, para quatro dedos, para todos os dedos em sua boca, guloso, queria vê-la encharcada, obrigada a trocar de calcinha para voltar para casa.

Ela, não sabia mais o que pensar, perdera completamente a razão das regras e era regida pelo desejo de ser mulher, femêa, implorou pelo desejo mais primitivo murmurando. O ariano finje não ouvir, queria exaltar o seu ego e fazendo-a falar alto e claro o que desejava.

E antes mesmo que terminasse de pedir ele a tomou nos braços e se embrenharam em meios aos lençois e travesseiros.

Ao terminarem, ainda dentro dela, o ariano olhando para ela começa a esticar os lábios e monstrar a cara de sacana que até então estava escondida, se segurando para não rir.

E ela agradeçe, chamando-o de Filho da puta.


Para elaborar este conto foram utilizados:

* Sol pegando na minha mesa esquentando tudo por aqui.
* Uma conversa com Lady Vulgata sobre a simplicidade.
* E o Heavy Metal do Victory no almbum Don't Talk Science