quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Kiss meu pé

Já que ela tinha ido passar o feriado no Rio de Janeiro ele resolveu ir até os bares que ela costumava freqüentar. Foi fácil descobrir observando as fotos, textos, recados e comunidades do Orkut. A missão era bisbilhotar sobre a vida daquela que sonhava em ser sua Domme. Para ele, aquilo era uma "medida de precaução apenas", pois estava cansado de se meter em frias. Sua idéia, era de procurar por algumas pessoas que apareciam nas fotos do seu álbum online.

Chegou cedo no bar, ainda tinha mais garçons que clientes. Aproveitou para tomar uma cuba libre e perguntar para os garçons e bartenders se eles conheciam a menina dos cabelos multicoloridos. O tempo foi passando a noite foi ficando mais agitada e logo ele encontrou um dos seres que já esteve presente nas fotos.

O papo começou praticamente direto no assunto, afinal ele não estava ali para perder tempo, mas acabou deixando o rapaz ressabiado e dificultando o papo. Até o instante que uma cara de pavor instaurou-se na cara dele. Era nada mais nada menos do que ela adentrando ao bar. Ele sabia que ela só retornaria depois do ano novo! Ou pelo menos foi isso o que interpretou em algum e-mail trocado dias antes.

Ele teve que despistar, e acabou saindo pela tangente direto para o banheiro afim de procurar um alivio e tempo para articular uma desculpa, uma saída ou não.

Quando saiu, de nada adiantou o seu plano. Ela já estava próxima da porta do banheiro e quando o viu, começou a gritar, xingá-lo e a gritar pelos seguranças. Quando eles se aproximaram, falou que ele tinha lhe passado a mão, falado besteiras e agarrado a força.

Isso acabou tirando-o do sério que então começou a gritar chamando-a de louca, mas o resultado foi ele levando sob uma chave de braço, quase sufocado para o escritório do bar. Lá o segurança prendeu-o a uma cadeira e falou que ia ficar ali até a polícia chegar e levá-lo.

Logo a moça entrou, disse que não precisava chamar a policia, disse que queria somente conversar com ele e depois poderia colocá-lo para fora do bar. O segurança entendeu e falou que iria ficar aguardando do lado de fora da porta.

Sua primeira palavra foi um tapa na cara, ao mesmo tempo em que começamos a ouvir a banda tocar alguma balada antiga do kiss, que se seguirão com mais uns verbos depreciativos, tais como filho da puta, viado e idiota. Ele, depois de provar o sangue da boca cortada ele pediu desculpas, disse que estava muito interessada nela e por isso tinha ido procurar saber mais dela. Ele não queria aprontar com ela, ou sacaneá-la. Somente conheçê-la,

A humilhação dela era muito grande. O segurança ouvia tudo do lado de fora e ria imaginando a tamanha braveza da moça. Ele não conseguia se justificar, a cada palavra era interrompido por mais humilhação, mais coisas eram lhe dito e fazia se sentir o pior dos piores.

Pouco a pouco, a raiva diminuiu, o tom de voz abaixou, mas a grosseria ainda era mantida. Sentou-se na mesa, virou a cadeira de frente para ela e ficou encarando-o por alguns instantes. Um olhar sério e bravo, que fez com que ele começasse a se lamentar, a pedir desculpas, a praticamente implorar para que ela não deixasse de trocar e-mails e permitisse que continuassem se conhecendo. Parecia até que iria começar a chorar a qualquer momento.

Um estalo do salto batendo no chão cortou o discurso piedoso do rapaz e o pé veio direto a boca dele. Ele, como bom escravo, meia palavra, ou o simples gesto lhe bastava. E começou a se dedicar ao pé dela, beijando, lambendo e aproveitando o seu ultimo recurso para se redimir. Ela só disse que aquele era o melhor uso para aquela boca e que a boca era talvez a única coisa de útil nele.

As palavras não lhe doíam mais, o alivio era sentir aquele pézinho delicado em sua boca e ver sua calcinha sob a saia curta. Quando ela se sentiu mais relaxada, e seu pés um pouco babados, esfregou-os na camiseta dele, pôs o salto de volta ao pé e escreveu o seu telefone em um bilhetinho.

Pôs o bilhetinho no bolso dele, deu-lhe outro tapa, não tão pesado, na cara e saiu falando para ele ligar para ela na segunda-feira. Já com a maçaneta da porta na mão, olhou para trás, sorriu, piscou o olho e saiu como se tivesse lavado a alma.

Ele foi colocado para fora e foi para casa dormir. Afinal segunda-feira teria que chegar logo.