sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Num quarto de hotel

Ele se trancara em um quarto de hotel, a qual prendia o seu corpo, mas não sua cabeça, que passeava por Passárgada. Desejando aquela que já conhecia bem virtualmente e agora desejava aprender a lidar com os seus caprichos.

Enquanto navegava pelo mar virtual, ancorou-se em uma página diferente com um texto pra lá de interessante, e pouco as pouco as imagens foram tomando os pensamentos dele e se formando em belas cenas, que dançavam na sua imaginação. Pouco a pouco, ele passa a vicenciar a cena extrapolando o texto e experimentando um novo mundo onde as sensações, cheiros, cores, gostos e toques são criados e quando ele se dá por si, está em outro universo.

Aquela Mulher, com uma maquilagem que lhe saltava os olhos, em belas botas e um vestido preto curtinho em vinyl com cordões trançados na lateral que denunciava a ausencia de qualquer peça intima, fazia suas unhas de felina invadir o seu íntimo, redesenhando o seu corpo, ditando-lhe as palavras a serem repetidas em uníssono. Ela agora controla a sua fome, a sua sede e a sua angústia. Os seus sentidos latejam. Ela tateia, domina e mordisca-lhe a sua intimidade. Um mimo a mais que Aquela Mulher lhe permite.

Ela guia os seus passos e ele, indefeso, se entrega em seus braços e se permite levar, sabedor de que ela, mais do que ele, conhece os passos que ele deve tomar. Ela dita os seus rumos. Um exercício que ele deve seguir para ser feliz ao lado dela na precisa medida que ela deseja.

Ela lhe escurece a sua visão num ensaio que causa arrepios a ele. Parece-lhe uma nova harmonia que sufoca e contagia. O seu sexo, lateja preso à cueca, clamando por um ar de liberdade enquanto os dedos dela eletrocutavam a sua pele com toques precisos, por vezes se permitia um leve toque do lábio, de sua língua, da sua sede, Avidamente, ele se entrega ao deleite daquela Dama.

E como era bela aquela Dama! Como ela sabia se permitir conhecer as potencialidades daquele que a ela se oferecia e que, por ela, se deixava controlar.

Em alguns poucos momentos, de sua escolha naturalmente, ela lhe permitia, o suave contato das suas pernas. Ora em seu rosto, ora em seu sexo. Permitia o toque dos dedos daquele homem em sua intimidade, acendia-lhe o fogo. E controlava este fogo em brasa. Tinha um objetivo claro, qual seja o seu prazer, e por ele, tatuar-se no corpo e na mente daquele homem. Ser servida por ele. Ter a tranqüilidade do sono relaxante enquanto a ele cabia a vigília.

Mas até lá, havia tempo. E este tempo era determinado pelo seu prazer. Pela relação harmoniosa de que se sabe dominadora. E de quem se sabe dominado.

Passeou em cima d’aquele Homem, enquanto ele se embriagava com cada gota do seu sexo na língua d’aquele Homem. Ela o levanta, leva-o até a cadeira. Senta-se em seu colo, mexe os seus quadris, esbofeteia-lhe o rosto, as coxas até deixar as suas nádegas expostas. E observa aquele minusculo botão de intimidade que empinado suplica atenção.

Ela não pestaneja em Levantar-se, ir ao quarto e retornar. E com golpes sutis invade-lhe a sua intimidade com força, com vontade. Ela continua a sua lição. Desta vez, ela vai ao quarto, pega o seu chicote predileto, a sua cinta liga, Veste-se e oferece aquele mastro artificial à boca d’aquele Homem. Ele prontamente a obedece enquanto ela massageia as suas nádegas com o chicote.

Logo se entedia e o amarra à cadeira e lhe oferece o tratamento devido. A sua crueldade consiste em não deixar explícito o prazer d’aquele Homem. Só quando ela o permitir. Ela se coloca à frente d’aquele Homem, tira as ultimas peças, expõe os seus seios, ele a devora. Ela goza freneticamente e finalmente, ela permite o gozo daquele homem e oferece-lhe uma ultima tarefa, passar toda aquela noite dormindo ao seu lado, com um pedacinho do céu d’aquela, em sua intimidade. Ele lhe agradece e ela lhe oferece o sofá, ao lado do seu lado preferido da sua cama. Ele esboça um sorriso. Orgulhosa da obediência d’Aquele Homem, ela o repreende. Mais do que aceitar, ele compreende a mensagem que se encontra naquele olhar. E ele, estático ao seu lado, vê o dia amanhecer cuidando do sono d’aquela mulher.